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Eleições CBX 2008

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O segundo candidato à presidência da Confederação Brasileira de Xadrez entrevistado pela XADREZ! já é bem conhecido dos aficionados e profissionais do xadrez brasileiro, O GM Giovanni Vescovi fala sobre sua candidatura e suas novas idéias.

Entrevista por: Roberto Calheiros


1.Giovanni, é muito bom para os enxadristas brasileiros ter mais esta oportunidade de conhecer suas idéias, e agora, nesta nova empreitada política.

Pra começar, gostaria de relembrar, uma passagem interessante de uma entrevista concedida por você ao Ali Yazici no mundial de Trípoli, onde você diz sobre o xadrez brasileiro:

"Estamos crescendo, com dificuldade, mas estamos crescendo. Deveríamos unir nossos esforços para ver onde queremos estar daqui a 5 anos."

Dois anos depois, temos sua candidatura declarada à Confederação Brasileira, o que mais lhe motivou a tomar esta decisão ?

Eu sempre fui um defensor do xadrez brasileiro mundo afora. Naquela época, lembro-me de ter comentado ao Ali sobre os avanços dos programas sociais, tais como o xadrez escolar e até mesmo o projeto do xadrez junto a menores infratores.

Acredito que temos muita gente engajada com o nosso esporte em todo o país, bastando apenas um trabalho coordenado e em conjunto para começarmos a obter resultados.

Com relação à minha candidatura à Presidência da CBX, alguns fatores foram levados em consideração. Pessoalmente, sempre gostei muito do jogo, e acho que o xadrez me proporcionou muitas alegrias. Sinto que devo fazer algo pelo nosso esporte também, em retribuição.

É uma característica particular minha o gosto por desafios. Antes de pensar em me candidatar, fiquei pensando o que eu poderia fazer para melhorar o xadrez brasileiro. Depois de desenvolver algumas idéias, decidi que devia lançar minha candidatura. Nossas propostas são bastante ousadas e ambiciosas, e tornar esses projetos uma realidade é, sem dúvida, um grande desafio.

Além de toda a motivação, tenho a certeza de que reúno todas as condições para um excelente trabalho à frente da CBX, junto com todos os colaboradores do xadrez brasileiro.


2. A atual gestão da CBX apóia a sua candidatura para a sucessão? como está sua relação com o Sérgio de Freitas?

O Sérgio de Freitas é um amigo pessoal de longa data. Eu o admiro muito por toda sua competência e correção, e tenho certeza que ele também tem grande estima por mim. Muita gente não tem noção do quanto é precioso o tempo de um executivo da envergadura do nosso atual presidente, e se não fosse pelo nosso relacionamento pessoal, dificilmente eu teria tanto contato como tenho normalmente.

Com relação ao apoio à minha candidatura por parte da atual gestão, essa é uma questão que cabe a eles se manifestarem. Posso garantir que a atual Diretoria se manterá, no mínimo, isenta durante o processo, pelo menos por ora. É importante deixar as Federações analisarem as propostas sem qualquer pressão por parte da atual administração.

3.A Confederação Brasileira de Xadrez vive um grande momento e há um superávit no caixa, solidamente construído, você pretende , se eleito, investir em algo como uma sede ou algo mais importante nessa linha?

Num primeiro momento, a questão da sede própria não é a mais relevante. Antes de despesas com ativo imobilizado, convém analisar o fluxo de caixa e verificar como será o custeio da entidade. Teremos maiores despesas operacionais e por isso é importante tomar cuidado com gastos elevados.

4. É muito importante para as federações votantes, além do presidente, saber a constituição da chapa dos candidatos que vão concorrer à presidência da CBX, sua chapa já está formada ou você já pensou em alguns nomes que irão estar com você?

Ainda não está totalmente formada, mesmo porque teremos muitos colaboradores. O que posso dizer é que, tendo em vista os princípios que regerão nossa gestão, todas as Regiões estarão representadas em nossa Administração.


Um dos pilares do sucesso dessa nova fase do xadrez brasileiro é a sinergia entre CBX e federações. Organizar tudo isso não é fácil, mas tenho buscado inspiração em Federações de países grandes como a Rússia. Acho que podemos aplicar modelo semelhante em termos de comissões, colaboradores, funções, etc.

5. Semana com o GM, Apoio maior aos Grandes Mestres e também nesta gestão mudança de 50% a 35% dos repasses feitos para as federações, por outro lado muito pouco tem se feito pelo xadrez escolar, você seguirá este modelo, se presidente, ou haverá mudanças nestas políticas?

A Semana com o GM é um programa que visa beneficiar as federações. O ídolo é muito importante para qualquer modalidade esportiva, e a visita de um GM a federações mais distantes dos grandes centros é uma forma muito eficiente de motivar novos talentos, dinamizar o esporte na região e divulgar o trabalho da entidade na mídia local.

Se analisarmos objetivamente, o apoio maior aos GMs não me parece assim tão claro. Nossos GMs não têm jogado como deveriam, e muitos acabam dando muitas aulas, ao invés de se prepararem para torneios na Europa.

De qualquer forma, apoio a GMs e xadrez escolar (assim como outras linhas de atuação) não são excludentes, mas fazem parte do desenvolvimento do xadrez nacional como um todo. Certamente pretendo dar uma atenção especial ao xadrez escolar, pois é de lá que sairão os novos talentos, tendo em vista que o formato tradicional de clube está defasado com o advento da internet.

6. Como jogador Número 1 do Brasil e Grande Mestre de destaque Internacional, há uma pespectiva de maior visibilidade mundial para o Brasil no cenário do xadrez internacional, perpectiva de trazer torneios oficiais da FIDE e jogadores de alta categoria ou isso não influenciaria ?

Evidentemente que isso influenciaria. Aliás, esse é um ponto importante. O xadrez brasileiro merece um destaque maior no cenário mundial. Somos um grande país. Muitos amigos GMs já me disseram que querem vir ao Brasil. Tenho certeza que conseguiremos criar um Circuito nacional em diversas regiões – por ora batizado de Brazilian Tour – e também acho que devemos organizar um torneio fechado forte. Inicialmente com Rm acima de 2600, mas temos que tentar fazer crescer e chegar a 2700.

O contato com essas pessoas não é aberto e em muitos casos dependem de relacionamento pessoal e confiança. Conheço boa parte dos dirigentes da FIDE e a quase totalidade dos GMs de alto nível. Acho que isso pode facilitar a realização desses projetos.

7. Descentralizar o xadrez e os grandes eventos oficiais com norma realizados na sua grande maioria em São Paulo seria algo inovador, conversando com líderes de outras regiões, percebi que se tiverem apoio, também desejam muito fazer torneios com norma de MI e GM, já que isso pode ocorrer paralelo aos abertos que elas geralmente conseguem realizar, qual sua opinião a respeito?

O xadrez em São Paulo é mais dinâmico por uma questão compreensível. Isso não significa dizer que toda a atividade deve ser concentrada nessa região. A Federação Paulista já faz seus torneios e tem suas atividades, e isso é bom para eles. A CBX deve contribuir para o xadrez em todo o país. Aliás, a distribuição de torneios em diversos estados vem sendo feita pela atual gestão. O que as federações precisam é organizar seu trabalho, fazer um planejamento de médio e longo prazo, e reunir as condições para organizar torneios de MI e GM.

E a CBX pode e vai ajudar nesse processo. É uma questão de custos na maior parte dos casos. Se a federação não tem a verba, ela deve captar os recursos necessários, e a CBX pode ajudar no processo, ou até mesmo fazer algum tipo de aporte. É essencial que se organize mais torneios fechados, pois hoje em dia o que mais vemos são torneios de partidas rápidas, e isso não é bom para o nível técnico e desenvolvimento de novos talentos.

8. Rafael Leitão foi um grande talento que surgiu no Maranhão, existem muitos talentos hoje no Brasil que precisam de apoio, e outros que deixaram o xadrez por falta dele, como você sabe, não é fácil conseguir apoios de patrocinadores para casos individuais e parece que no xadrez, isso se acentua, grandes empresas geralmente apóiam o atleta apenas quando ele se transforma em grande estrela e passa a chamar a atenção da Mídia, não haveria a possibilidade de se criar uma secretaria especificamente voltada para segurar nossas promessas com o mínimo de apoio?

Não exatamente. A CBX não é uma empresa de captação de patrocínio para atletas. O que ela pode e deve ter é algum tipo de programa de apoio, de forma a atingir vários atletas ao mesmo tempo, sem individualismo.

Por exemplo, é possível ter um programa de apoio às equipes olímpicas masculina e feminina, ou às equipes de base. Quem se qualificar, dentro de um critério pré-estabelecido, poderá obter o apoio e se dedicar ao xadrez com mais afinco. Assim, a CBX pode elaborar o programa e fazer o seu trabalho de captar os recursos junto ao Poder Público ou Iniciativa Privada.

Mas nunca um sistema de busca de patrocínios para esse ou aquele jogador, porque alguém acha que ele é mais ou menos talentoso que outro.

9 – Quantos torneios com norma de GM e MI seriam, na sua visão, ideais para o Brasil anualmente ? Recentemente um grupo de Jogadores brasileiros partiu numa histórica viagem à europa em busca dessas normas e se eu não me engano, você conseguiu junto com o Leitão a norma definitiva de Grande Mestre num torneio fora do país, chegará o momento em que o Brasil se tornará mais auto-suficiente nesta área?

O ideal ainda está longe de ser factível. Porém, acho que o Brasil deveria ter um Festival anual como Wijk aan Zee, ou algo do gênero. Quanto a torneios até cat. X (Rm 2500), acho que deveríamos ter pelo menos um ao mês. Para isso basta que as federações tenham esse objetivo e procurem organizar esses eventos.

10. O Jogador Giovanni continuará atuando?

Continuará no mesmo ritmo que o atual. Ou seja, muito pouco. Eu tenho uma agenda muito ocupada com o meu trabalho, e com certeza estando à frente da CBX o tempo será menor ainda. É claro que gosto de jogar e, quando posso, tento arrumar um tempinho. Mas em geral devo continuar jogando muito pouco.

11. Qual a sua estratégia para conseguir patrocinadores para grandes torneios? já que você já teve experiência na criação de uma empresa de eventos e publicidade e inclusive um site na internet com uma proposta diferenciada.

Como se sabe, a obtenção de patrocinadores para o xadrez não é fácil. O que pesa em grande parte dos casos é o relacionamento pessoal dos donos ou dirigentes da empresa com a pessoa que busca o apoio.

A CBX deve utilizar os meios e ferramentas que hoje tem à sua disposição: convênios com o Poder Público e Lei de Incentivo ao Esporte. Claro que meu relacionamento pessoal com empresários pode ajudar. Se antes eu falava como GM, agora falarei como GM, presidente da CBX e advogado. Acho que as chances aumentam.

12. De que forma podemos continuar a atrair os jovens ao jogo de xadrez na era dos super jogos de computador, orkut, msn, etc?

Não podemos forçar ninguém a gostar de jogar xadrez. As crianças que participam dos programas de xadrez escolar já têm o contato com o jogo. Esse é o estopim. Aqueles que se interessarem devem ter oportunidades. O que a CBX pode e deve fazer é criar mecanismos dessa transição do xadrez escolar para o xadrez competitivo, e isso faz parte de nossa proposta. Neste contexto estamos falando de treinamento, torneios, eventos motivacionais, etc.

13. Como expandir o xadrez, divulgando mais para a sociedade brasileira ou em veículos de imprensa a modalidade e aumentando a visibilidade de nosso esporte, que ainda nem participa das olimpíadas?

Há muita gente no país que joga xadrez. Inicialmente pretendemos aumentar o cadastro, atraindo aqueles aficionados que costumavam ler as colunas de xadrez no jornal e acabaram se distanciando do jogo. Além disso, daremos uma atenção especial ao Marketing e imagem do xadrez. Com uma ação coordenada acredito que poderemos retomar o espaço do xadrez nos jornais e depois começar a lançar alguns eventos promocionais na TV, como torneios relâmpago, simultâneas, etc.

14. Algumas Perguntas menos ligadas à Política, Diego di Berardino, Krikor Mekhitarian, Victor Shumyatsky, Yago Santiago, Evandro Barbosa, são alguns dos grandes nomes da nova geração, você tem acompanhado esse lado da nossa evolução? conhece e tem alguma opinião sobre a evolução e o potencial deles?

Conheço alguns deles, sim. Acho que é importante termos uma renovação. Quanto a potencial individual de cada um, não tenho elementos suficientes para tirar uma conclusão. Com o destaque e o conhecimento que eles já possuem, tenho certeza que todos chegarão a MI, e se continuarem a se dedicar, o título de GM é uma questão de tempo.

15. Qual a sua visão do xadrez na região nordeste, na região sul, centro-oeste e norte hoje e seus planos para estas regiões caso seja eleito?

É evidente que a região menos favorecida é a região Norte, principalmente por razões geográficas. O Centro-Oeste tem tradicionalmente uma participação em Brasília e Goiás,sem falar no excelente trabalho que vem sendo feito no Mato Grosso do Sul e no Mato Grosso. Há uma comunidade ativa.

Já as regiões Nordeste e Sul sempre tiveram e continuam tendo uma comunidade bastante participativa. O que falta é um intercâmbio maior entre todas as regiões do país. É natural ter-se a impressão de que não há avanço, se em todos os torneios vemos as mesmas pessoas.

O intercâmbio é uma das chaves para o desenvolvimento técnico, e para a motivação dos jogadores de forma geral. Teremos nossos MIs e Gms jogando Brasil afora, e também visitantes de outros países.

Mais concretamente, nossa proposta inclui um programa de treinamento para novos talentos em todas as regiões, e torneios que favoreçam o intercâmbio.

16. Que mensagem você gostaria de registrar para os enxadristas, antes das eleições?

Gostaria que as pessoas visitassem o site que desenvolvemos – www.xadrezbrasileiro.com.br – e se possível manifestassem seu apoio. Embora o eleitor nesse processo eleitoral sejam apenas os Presidentes das Federações, espero poder contar com o apoio da comunidade enxadrística como um todo.

GM Giovanni Vescovi

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"Matéria: Roberto Calheiros"
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Última modificação 2008-09-23 07:05 PM
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